A mulher gorda

Como já comentei, estou lendo o livro O Carrasco do Amor, de Irvin D. Yalom. O capítulo “A mulher gorda” me chamou bastante atenção – o título já diz tudo, né?

Ainda na primeira página, o autor conta que, ao começar a atender uma nova cliente, obesa, precisou lidar com uma dificuldade: ele odeia mulheres gordas. À medida que fui lendo alguns trechos, ficava chocada:

Sempre me senti repelido por mulheres gordas. Eu as acho repulsivas: o absurdo andar bamboleante, a ausência de contornos corporais – seios, colo, nádegas, ombros, maxilar, ossos do rosto -, tudo, tudo aquilo que gosto de ver numa mulher oculto por uma avalanche de carne. E eu odeio suas roupas – os vestidos disformes, folgados ou, pior, os jeans apertados, elefantinos, com as coxas em forma de barril. Como elas ousam impor seus corpos a todos nós?

Mas quando vejo uma senhora gorda comendo, desço alguns degraus na escada da compreensão humana. Tenho vontade de arrancar a comida dela. De empurrar seu rosto para dentro do sorvete. “Pare de se estufar! Você já não tem o suficiente, pelo amor de Deus?” Eu gostaria de amarrar suas mandíbulas com um arame!

São palavras tão agressivas! Será que alguém já pensou isso a meu respeito? Imagino que sim, talvez aquela vendedora da loja que me mediu dos pés a cabeça antes de dizer que não tinha roupa do meu tamanho, ou talvez aquele médico que falou que eu precisava emagrecer, ou a orientadora do grupo de reeducação alimentar que emagreceu muito e quer que todos também emagreçam. Mas desses, só a vendedora, com aquele olhar de desprezo, me incomodou, me deixou desconfortável, fez com que eu me sentisse inadequada.

Espera, mas eu faço quase o mesmo, quando penso que aquela moça anoréxica tem uma péssima aparência, sinto vontade de obrigá-la a comer (mesmo sabendo que isso não resolve), fico aflita vendo todos aqueles ossos salientes e com pena sabendo o quanto isso pode prejudicar sua saúde. Não tem jeito, sei que é uma doença, mas esses pensamentos aparecem do mesmo jeito. Mas eu só penso; não desrespeito, não trato mal, não afasto.

Sei que tem quem ache gordo feio, nojento, horrível. Tudo bem, gosto não se discute, cada um gosta do que quiser, blá, blá, blá. E cada um tem direito a pensar o que quiser. Desde que haja respeito e se trate bem…

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4 comentários para “A mulher gorda”

  1. Deise disse:

    Pegou pesado mesmo .. pensar tbm penso, e muito, sobre muita coisa que vejo, mas daí a agredir as pessoas por causa de uma opinião minha .. tem bastante diferença né?

    Rê, me passa os blogs legais que comentou lá no meu post? :) (os que tu tira inspirações de roupas)

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    Renata Reply:

    Dê, vou mandar email com os links, tá?

    Reply

  2. Queli disse:

    Mas peraí… Não tem como comparar uma coisa com a outra.

    O cara fala de mulheres gordas e não doentes. Mulheres anoréxicas são doentes.

    Logo, querer empurrar comida pra elas é mais complicado do que querer tirar a coxinha de frango da mão da gordinha normal.

    Se quiser comparar, compara de maneira igual. Porque o antônimo de gordinha é anoréxica? O antônimo de gorda é magra. E ambas podem ser saudáveis. Assim como existem aquelas mulheres magras com péssima aparência de fraca, de quem passa fome, com olheiras, existem aquelas gordas com aparência péssima também com coxas maiores que o corpo, cheias de celulite, com papo debaixo do queixo, braços com aquela pele do “tchauzinho” pendurado… Isso são dois extremos. É possivel ser magra e ser saudável, não viver à base de remédios pra emagrecer, não viver passando fome. Como não é possivel? É possível, sim. Ser magra requer disciplina e não remédios. Ser magra não significa ser esquelética. Ser magra é ser magra, com um percentual aceitável de gordura no corpo e ponto. Assim como tem muita gordinha com uma aparência incrível! Admiro quando vejo. Bem, por fim, paremos de achar que numa ponta da corda está a gordinha e na outra está a anoréxica.

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    Renata Reply:

    Queli, você não interpretou bem o que escrevi. Eu não estava comparando nada. Apenas falei que, assim como algumas pessoas têm preconceito em relação a mim, pelo meu peso, eu também tenho, em alguns momentos, contra pessoas muito magras. Apenas falei que entendo pensamentos preconceituosos, pois eu mesma os tenho. Logo depois de falar sinto vontade de obrigar a comer, falo que sei que isso não resolve. E dizer que penso em fazer isso não quer dizer que eu faria isso de verdade. Jamais vou obrigar alguém a comer ou deixar de comer qualquer coisa. Também não falei que magro não é saudável, falei que magreza excessiva pode não ser saudável, assim como sei que a obesidade não é saudável. Por curiosidade, sabia que pessoas extremamente magras podem ter o colesterol tão ou mais alto que obesos? Não defendo um extremo nem outro, nem sou contra um ou outro. Quem quer ser magra, que seja. Quem quer ser gorda, que seja. Eu sou gorda, mas não quero ser. Por outro lado, não quero ser muito magra. Procuro saúde, principalmente. Talvez você tenha entendido que estou fazendo apologia à obesidade ou qualquer coisa assim, mas está enganada.

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